A proteção de crianças e adolescentes constitui uma das áreas centrais da minha atividade profissional, científica e formativa. Ao longo de quase três décadas tenho desenvolvido trabalho na prevenção da violência, particularmente da violência sexual contra crianças e jovens, bem como na avaliação e intervenção em situações de negligência, maus-tratos e outros contextos de risco para o desenvolvimento infantil e juvenil.
A minha experiência tem sido construída através da articulação entre investigação, prática profissional e formação especializada, procurando sempre aproximar o conhecimento científico das necessidades concretas das crianças, das famílias, dos profissionais e das instituições. Este percurso permitiu-me acompanhar a evolução das políticas de proteção, contribuir para o desenvolvimento de programas preventivos e colaborar com diferentes organizações na promoção do bem-estar e da segurança das crianças.
Acredito que a proteção não começa quando surge um problema. Constrói-se muito antes, através da criação de contextos seguros, relações de confiança, práticas educativas positivas e comunidades capazes de reconhecer e responder precocemente a sinais de vulnerabilidade. Por essa razão, uma parte significativa do meu trabalho centra-se no desenvolvimento de programas de prevenção, recursos psicoeducativos, formação de profissionais e capacitação parental, promovendo uma cultura de proteção assente no conhecimento, na responsabilidade e na participação de todos.
A evidência científica demonstra que a prevenção é tanto mais eficaz quanto mais cedo é iniciada e quanto mais integrada estiver nos diferentes contextos de vida das crianças. Proteger implica fortalecer fatores de proteção, reduzir fatores de risco e criar oportunidades para que cada criança possa crescer num ambiente que promova a sua segurança, dignidade e desenvolvimento saudável.
A defesa dos direitos da criança, a prevenção da violência e a promoção de uma cultura de cuidado e respeito constituem os princípios que orientam a minha atividade. É nesse cruzamento entre ciência, prevenção e compromisso social que procuro desenvolver o meu trabalho, contribuindo para a construção de ambientes mais seguros e protetores para todas as crianças e adolescentes.
Cada sub-tema tem um texto de enquadramento e uma secção "Recursos para Aprofundar", com documentos nacionais e internacionais de referência.
A prevenção da violência sexual contra crianças e jovens tem constituído uma das áreas centrais da minha atividade profissional, científica e formativa ao longo das últimas décadas. Apesar dos avanços registados na sensibilização pública e no reconhecimento da gravidade deste fenómeno, continua a persistir uma visão excessivamente centrada na deteção e intervenção após a ocorrência do abuso. A investigação acumulada ao longo dos últimos anos demonstra, contudo, que a proteção efetiva das crianças depende sobretudo da capacidade de atuar antes da vitimação ocorrer, reduzindo fatores de risco e fortalecendo fatores de proteção nos diferentes contextos de vida.
A violência sexual contra crianças e jovens é um fenómeno complexo, multifacetado e transversal a todos os contextos sociais, culturais e económicos. Não resulta de uma única causa nem pode ser prevenida através de uma única estratégia. A evidência científica aponta para a necessidade de abordagens ecológicas e sistémicas que integrem a criança, a família, a escola, os serviços, as organizações e a comunidade em geral. Proteger implica criar ambientes seguros, promover relações de confiança e garantir que os adultos assumem uma responsabilidade ativa na prevenção e na resposta às situações de risco.
Durante muito tempo, os programas de prevenção centraram-se sobretudo na transmissão de informação às crianças. Embora o desenvolvimento de conhecimentos e competências de autoproteção seja importante, sabe-se hoje que a responsabilidade pela prevenção nunca pode ser colocada sobre a criança. A intervenção mais eficaz passa por capacitar simultaneamente crianças, pais, educadores, professores, profissionais de saúde, técnicos sociais, dirigentes desportivos e todos aqueles que desempenham funções educativas ou de cuidado. A prevenção constrói-se através de comunidades informadas, vigilantes e comprometidas com os direitos da criança.
Um dos aspetos fundamentais da prevenção consiste na promoção de uma cultura de proteção. Esta implica criar organizações capazes de identificar riscos, desenvolver políticas de safeguarding, estabelecer procedimentos claros de atuação e promover ambientes em que as crianças se sintam seguras para expressar preocupações, pedir ajuda e participar nas decisões que lhes dizem respeito. A proteção infantil não deve ser encarada apenas como uma resposta ao perigo, mas como uma dimensão permanente da qualidade das relações, dos serviços e das instituições.
As transformações tecnológicas das últimas décadas trouxeram também novos desafios. A utilização crescente de ambientes digitais criou oportunidades importantes de aprendizagem, participação e socialização, mas aumentou igualmente a exposição a diferentes formas de exploração e abuso sexual online. A prevenção exige hoje uma atenção particular à segurança digital, à educação para a cidadania online, à proteção da privacidade e ao desenvolvimento de competências críticas que permitam às crianças e jovens navegar de forma segura num mundo cada vez mais conectado.
Grande parte do meu trabalho tem incidido no desenvolvimento, implementação e avaliação de programas de prevenção baseados na evidência científica, bem como na formação especializada de profissionais e na criação de recursos psicoeducativos destinados a diferentes públicos. Procuro contribuir para que o conhecimento produzido pela investigação possa ser traduzido em práticas concretas de prevenção, reforçando a capacidade das famílias, das escolas e das organizações para protegerem as crianças e responderem de forma adequada às suas necessidades.
A prevenção da violência sexual é uma responsabilidade coletiva e contínua. Cada adulto, cada instituição e cada comunidade têm um papel a desempenhar na construção de contextos mais seguros.
Quanto mais informados, atentos e preparados estivermos, maior será a nossa capacidade de reduzir riscos, promover relações protetoras e garantir que todas as crianças e jovens crescem em ambientes onde os seus direitos, a sua dignidade e o seu bem-estar são efetivamente respeitados e protegidos.
Nesta secção encontrará documentos nacionais e internacionais, guias técnicos, relatórios, organizações de referência, livros, materiais pedagógicos e outros recursos que sustentam o conhecimento científico e as boas práticas na área da proteção e prevenção da violência contra crianças e jovens.
O principal instrumento internacional de proteção dos direitos da criança, base conceptual de praticamente todas as políticas e programas de proteção infantil desenvolvidos nas últimas décadas. Defende o princípio do superior interesse da criança e estabelece o direito à proteção contra todas as formas de violência.
A Convenção de Lanzarote é o instrumento mais abrangente do Conselho da Europa para a prevenção da exploração sexual e dos abusos sexuais contra crianças. Exige que os Estados adotem medidas de prevenção, proteção das vítimas e responsabilização dos agressores.
Guia internacional de referência para prevenção da violência contra crianças.
Documento estratégico de referência para a Europa, com foco específico na proteção contra a violência, participação infantil, justiça amiga das crianças e segurança digital.
A principal iniciativa internacional dedicada à prevenção da exploração e abuso sexual de crianças online. Produz relatórios globais, modelos nacionais de resposta e orientações para governos, escolas, profissionais e famílias
Norma internacional de referência para organizações que trabalham com crianças. Muito utilizada por ONG, escolas, universidades e organismos internacionais para desenvolver políticas de safeguarding e proteção infantil.
Recurso técnico essencial para profissionais de saúde, educação, serviço social e psicologia, focado na prevenção, identificação e intervenção em situações de abuso e negligência infantil.
Centro de investigação da University of New Hampshire (EUA) dedicado ao estudo da vitimização de crianças, jovens e famílias. O seu principal objetivo é produzir conhecimento científico que contribua para a prevenção, identificação e resposta a diferentes formas de violência e exploração infantil.
Centro de referência internacional na prevenção da exploração sexual, desaparecimento de crianças e segurança online.
Materiais sobre segurança digital, cidadania digital, literacia mediática e riscos online dirigidos a pais, professores e profissionais.
Programa europeu de promoção de ambientes digitais seguros para crianças e adolescentes
O Programa Girassol é um programa de prevenção primária da violência sexual dirigido a crianças dos 7 aos 9 anos, desenvolvido pelo Grupo VITA para o contexto da Igreja Católica em Portugal. Utiliza metodologias lúdicas e participativas para promover competências de autoproteção, ajudando as crianças a reconhecer situações de risco, expressar emoções, compreender limites corporais, distinguir segredos seguros e inseguros e pedir ajuda a adultos de confiança. Inclui materiais para crianças e orientações destinadas aos adultos que as acompanham.
O Lighthouse Game é um programa de prevenção primária da violência sexual dirigido a crianças e pré-adolescentes dos 10 aos 12 anos, desenvolvido pelo Grupo VITA. Apresenta-se sob a forma de um jogo digital interativo, organizado por níveis e desafios, que promove a identificação de situações de risco, o desenvolvimento de competências de comunicação, a tomada de decisões seguras e a construção de relações saudáveis. O programa inclui igualmente atividades de envolvimento familiar e materiais de apoio para adultos responsáveis pela sua implementação.

“Julieta, a Tartaruga que Perdeu a Carapaça” conta a história de uma pequena tartaruga que acorda e descobre que a sua carapaça desapareceu. Ao longo da aventura, Julieta aprende a conhecer e proteger o seu corpo, a dizer "não" quando algo a incomoda e a pedir ajuda a adultos de confiança. Uma história sensível e educativa que promove a prevenção da violência sexual infantil.

Podes Falar Comigo é um guia prático que oferece estratégias para compreender, prevenir e agir perante situações de violência sexual contra crianças e jovens, promovendo ambientes mais seguros, protetores e informados.

À Descoberta dos Direitos das Crianças acompanha um grupo de jovens que, durante uma visita de estudo à Assembleia da República, embarca numa aventura cheia de desafios e descobertas. Ao longo da história, os protagonistas conhecem os direitos das crianças, aprendem a reconhecer a sua importância no dia a dia e refletem sobre cidadania, participação e respeito pelos direitos humanos. Uma obra educativa que promove o conhecimento da Convenção sobre os Direitos da Criança de forma acessível e envolvente.

Este livro reúne contributos de diversos especialistas para compreender a violência sexual nas suas múltiplas dimensões. A obra aborda temas relacionados com a prevenção, avaliação e intervenção junto de vítimas e agressores, constituindo um recurso de referência para profissionais das áreas da psicologia, saúde, educação, justiça e intervenção social.

Direitos em Jogo é um kit pedagógico que promove, de forma lúdica e participativa, o conhecimento dos direitos das crianças. Através de jogos e atividades, ajuda crianças, famílias e educadores a compreender os princípios da Convenção sobre os Direitos da Criança, a reconhecer situações em que esses direitos podem não estar assegurados e a saber como pedir ajuda.

Picos e Avelã à Descoberta da Floresta do Tesouro é um programa de prevenção primária do abuso sexual destinado a crianças dos 3 aos 6 anos. Através de histórias e atividades lúdicas, promove competências de autoproteção, abordando temas como o corpo, os toques seguros e inseguros, as emoções, os segredos, a importância de dizer "não" e de pedir ajuda a adultos de confiança.

As Aventuras do Búzio e da Coral é um recurso pedagógico de prevenção do abuso sexual infantil que utiliza o jogo e a narrativa para ensinar crianças a reconhecer situações de risco, distinguir segredos bons e maus, compreender os limites do corpo, expressar emoções e pedir ajuda a adultos de confiança. De forma lúdica e adequada à idade, promove competências de autoproteção e segurança.
A utilização de programas de prevenção baseados na evidência constitui um princípio fundamental da minha prática profissional. Em áreas tão sensíveis como a proteção infantil, é essencial que as intervenções estejam sustentadas em conhecimento científico sólido e não apenas em boas intenções ou perceções subjetivas sobre aquilo que poderá funcionar.
A investigação internacional tem identificado características comuns aos programas preventivos mais eficazes. Estes programas apresentam objetivos claramente definidos, utilizam metodologias estruturadas, promovem a participação ativa dos destinatários e incorporam mecanismos de avaliação que permitem medir resultados e introduzir melhorias contínuas.
Ao longo do meu percurso tenho participado no desenvolvimento, adaptação e avaliação de programas dirigidos à prevenção da violência sexual, ao fortalecimento de competências parentais, à promoção da literacia emocional e à prevenção de diferentes formas de vitimização infantil.
A transferência do conhecimento científico para a prática constitui uma das minhas prioridades. Isso implica transformar resultados de investigação em intervenções concretas, acessíveis e aplicáveis aos contextos educativos, sociais e comunitários onde as crianças vivem e se desenvolvem.
Quando as decisões são informadas pela evidência, aumenta-se a probabilidade de produzir mudanças significativas, sustentáveis e verdadeiramente protetoras.
O que significa, na prática, um programa baseado na evidência?
Nesta secção encontrará documentos nacionais e internacionais, guias técnicos, relatórios, organizações de referência, livros, materiais pedagógicos e outros recursos que sustentam o conhecimento científico e as boas práticas na área da proteção e prevenção da violência contra crianças e jovens.
Modelo internacional de referência para o desenvolvimento de competências socioemocionais em contexto educativo, amplamente utilizado em programas preventivos dirigidos a crianças e adolescentes.
Guia prático para a implementação de programas de aprendizagem socioemocional em escolas, incluindo estratégias de planeamento, execução e avaliação.
Documento da Direção-Geral da Educação e da Ordem dos Psicólogos Portugueses que inclui princípios e orientações para a identificação precoce de dificuldades, necessidades de apoio e fatores de risco em contexto escolar.
Documentos técnicos, pareceres, orientações e recursos baseados na evidência.
Programa de prevenção primária da violência sexual dirigido a crianças dos 7 aos 9 anos, desenvolvido pelo Grupo VITA no contexto da Igreja Católica em Portugal. Utiliza uma abordagem lúdica e estruturada, promovendo o reconhecimento de emoções, o direito ao corpo, a distinção entre gestos apropriados e não apropriados e a capacidade de pedir ajuda a adultos de confiança.
Programa de promoção de relações saudáveis e de prevenção da violência sexual dirigido a crianças e adolescentes entre os 10 e os 12 anos, desenvolvido pelo Grupo VITA. Utiliza uma metodologia interactiva baseada no jogo para trabalhar competências socioemocionais, literacia relacional e reconhecimento de situações de risco.

«Picos e Avelã à Descoberta da Floresta do Tesouro» é um livro que, através de uma história ilustrada, promove a prevenção do abuso sexual em crianças. Aborda o reconhecimento de emoções, o direito ao corpo, a distinção entre segredos bons e maus e a importância de pedir ajuda.

«As Aventuras do Búzio e da Coral» é um recurso pedagógico de prevenção do abuso sexual infantil que utiliza o jogo e a narrativa para ensinar crianças a reconhecer situações de risco, distinguir segredos bons e maus, compreender os limites do corpo, expressar emoções e pedir ajuda a adultos de confiança. De forma lúdica e adequada à idade, promove competências de autoproteção e segurança.
Programa internacionalmente validado e adaptado para Portugal, dirigido ao fortalecimento das competências parentais e à prevenção de problemas de comportamento em crianças.
Programa de prevenção universal dirigido a jovens, que promove o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e emocionais através de narrativas interativas. Aborda temas como relações interpessoais, gestão de emoções, comunicação, tomada de decisão, comportamentos de risco, bullying, sexualidade e consumos, incentivando estilos de vida saudáveis e a reflexão crítica sobre os desafios da adolescência.
Crescer a Brincar é um programa de promoção de competências socioemocionais dirigido a crianças do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Desenvolvido ao longo de quatro anos, visa fortalecer a autoestima, o autocontrolo, a gestão emocional, as competências sociais e a tomada de decisão, promovendo a saúde mental e o ajustamento psicológico. O programa envolve crianças, professores e famílias, contribuindo para a prevenção de problemas como a indisciplina, o bullying, a agressividade e o insucesso escolar.
Programa de desenvolvimento de competências pessoais, sociais e emocionais que visa promover o bem-estar, a saúde mental e a adaptação escolar de crianças e jovens. Através de atividades práticas e reflexivas, trabalha áreas como a autoestima, a comunicação, a gestão emocional, a resolução de problemas, a empatia e as relações interpessoais, contribuindo para o desenvolvimento de competências essenciais para a vida.
Dream Teens é um projeto de participação juvenil que promove a voz dos jovens nas áreas da saúde, bem-estar e cidadania, incentivando o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e de participação ativa na comunidade
MindSerena é um modelo educativo de aprendizagem socioemocional e desenvolvimento pessoal, baseado nas abordagens científicas do mindfulness. Dirigido a crianças, jovens, professores e técnicos, promove competências de autorregulação emocional, atenção plena, gestão do stress, empatia e comportamento pró-social, contribuindo para o bem-estar, a saúde mental, o sucesso escolar e uma relação mais consciente consigo próprio, com os outros e com o ambiente.
Devagar se Vai ao Longe é um programa de promoção de competências socioemocionais para crianças e jovens, desenvolvido em contexto escolar, que promove competências como a gestão emocional, a empatia, a assertividade e a resolução de problemas.
A identificação precoce de sinais de alerta constitui um elemento fundamental da proteção infantil. Embora nenhuma criança apresente uma resposta universal perante situações de adversidade, negligência ou violência, existem indicadores que podem justificar uma atenção acrescida por parte dos adultos responsáveis pela sua proteção e bem-estar.
As crianças expressam frequentemente o seu sofrimento através do comportamento, das emoções ou das relações que estabelecem com os outros. Mudanças significativas e persistentes no funcionamento habitual da criança podem constituir sinais de que algo não está bem e merecem ser observadas com cuidado. Alterações repentinas de humor, retraimento social, comportamentos agressivos, ansiedade excessiva, medos intensos, dificuldades de concentração, regressões no desenvolvimento, problemas de sono, queixas físicas recorrentes sem causa médica aparente ou quebras inesperadas no rendimento escolar são alguns exemplos de sinais que podem revelar sofrimento emocional ou exposição a situações adversas.
Contudo, é importante evitar interpretações simplistas. Um sinal isolado não confirma a existência de negligência, maus-tratos ou outras formas de violência. As crianças podem apresentar alterações comportamentais em resposta a múltiplas experiências de vida, como mudanças familiares, dificuldades de adaptação escolar, perdas significativas, problemas de saúde ou acontecimentos stressantes. Por essa razão, a interpretação dos sinais de alerta exige sempre uma compreensão mais ampla da história da criança, das características do seu desenvolvimento, do contexto familiar e social e das circunstâncias em que esses comportamentos ocorrem.
Mais do que procurar "provas" através de comportamentos específicos, importa desenvolver uma capacidade de observação sensível e informada. Muitas vezes, aquilo que merece atenção não é apenas a presença de determinado comportamento, mas a sua intensidade, duração, frequência ou impacto no funcionamento quotidiano da criança.
Paralelamente, a investigação científica tem identificado diversos fatores de risco associados a uma maior probabilidade de ocorrência de situações de negligência, maus-tratos ou outras formas de vitimização. Estes fatores podem estar presentes ao nível da criança, da família, da comunidade ou da sociedade em geral. Entre os mais frequentemente identificados encontram-se o isolamento social das famílias, elevados níveis de stress parental, problemas de saúde mental não acompanhados, violência doméstica, abuso de substâncias, pobreza persistente, desemprego, fragilidade das redes de apoio e exposição continuada a ambientes marcados pela instabilidade ou pelo conflito.
Importa sublinhar que os fatores de risco não atuam de forma isolada. Frequentemente, é a acumulação de múltiplas adversidades que aumenta a vulnerabilidade das crianças e das famílias. Da mesma forma, a presença de um único fator de risco não significa necessariamente que uma criança esteja em perigo. Muitas famílias enfrentam circunstâncias difíceis e continuam a proporcionar ambientes seguros, afetivos e protetores para os seus filhos.
Por esse motivo, a avaliação do risco deve ser sempre acompanhada pela identificação dos fatores de proteção existentes. A investigação demonstra que determinados recursos podem reduzir significativamente o impacto das adversidades e promover trajetórias de desenvolvimento mais positivas. Entre esses fatores destacam-se a existência de uma relação segura e estável com pelo menos um adulto significativo, o apoio familiar e comunitário, uma escola acolhedora e inclusiva, competências socioemocionais adequadas, acesso a serviços de apoio e oportunidades de participação e pertença social.
A compreensão dos fatores de risco e de proteção constitui uma ferramenta essencial para a prevenção. Permite não apenas identificar situações que exigem maior atenção, mas também desenvolver respostas mais eficazes e ajustadas às necessidades de cada criança e família. Em vez de se centrar exclusivamente nos problemas, esta perspetiva procura compreender os recursos existentes e as oportunidades de mudança, promovendo intervenções mais precoces, preventivas e orientadas para o fortalecimento das capacidades das famílias.
Ao longo da minha atividade profissional tenho trabalhado na avaliação e compreensão de situações complexas envolvendo crianças, jovens e famílias, tanto em contextos clínicos como forenses e de proteção. Esta experiência tem reforçado a importância de abordagens multidisciplinares, capazes de integrar diferentes fontes de informação e de considerar simultaneamente os riscos, as vulnerabilidades, os recursos e o potencial de mudança.
Alguns princípios fundamentais:
Sinais de alerta não são provas. Constituem indicadores que justificam observação, escuta e avaliação mais aprofundada.
Fatores de risco não determinam o futuro. A sua presença aumenta a probabilidade de dificuldade ou adversidade, mas não significa que uma criança venha necessariamente a sofrer maus-tratos ou outras formas de violência.
Fatores de proteção fazem a diferença. Uma relação segura com pelo menos um adulto significativo, uma escola acolhedora, competências socioemocionais adequadas e redes de apoio eficazes podem reduzir significativamente o impacto de contextos adversos.
O risco deve ser compreendido no contexto. A mesma situação pode ter significados diferentes consoante a idade da criança, a sua história de vida, a rede de suporte disponível e os recursos existentes na família e na comunidade.
A avaliação dos sinais de alerta e dos fatores de risco deve ser sempre contextualizada, multidisciplinar e centrada na compreensão da realidade específica de cada criança.
O objetivo não é apenas identificar problemas, mas contribuir para a criação das condições necessárias para que todas as crianças possam crescer em segurança, com proteção, estabilidade e oportunidades de desenvolvimento saudável.
Nesta secção encontrará documentos nacionais e internacionais, guias técnicos, relatórios, organizações de referência, livros, materiais pedagógicos e outros recursos que sustentam o conhecimento científico e as boas práticas na área da proteção e prevenção da violência contra crianças e jovens.
Um dos documentos mais influentes na área da proteção infantil. Defende uma abordagem centrada na criança e alerta para a necessidade de interpretar sinais de risco de forma contextualizada e baseada no raciocínio profissional.
Aborda a identificação precoce de necessidades, a intervenção preventiva e a importância da avaliação integrada dos fatores de risco e proteção.
Centro de investigação da University of New Hampshire (EUA) dedicado ao estudo da vitimização de crianças, jovens e famílias. O seu principal objetivo é produzir conhecimento científico que contribua para a prevenção, identificação e resposta a diferentes formas de violência e exploração infantil.

Podes Falar Comigo é um livro pedagógico dirigido a crianças que aborda a violência sexual de forma clara, compreensível e ajustada à idade, promovendo a literacia emocional, a autoproteção e a capacidade de pedir ajuda.

Este livro reúne contributos de especialistas de várias áreas para compreender os desafios associados à separação e ao divórcio. A obra explora o impacto destes processos nas crianças, nos pais e nas dinâmicas familiares, destacando a importância da coparentalidade, da redução do conflito parental e de uma intervenção multidisciplinar que promova o bem-estar e a adaptação das crianças. Constitui um recurso útil para profissionais, estudantes e famílias interessadas nesta temática.

Este livro reúne contributos de diversos especialistas para compreender a violência sexual nas suas múltiplas dimensões. A obra aborda temas relacionados com a prevenção, avaliação e intervenção junto de vítimas e agressores, constituindo um recurso de referência para profissionais das áreas da psicologia, saúde, educação, justiça e intervenção social.

Game Over é um livro de prevenção dos comportamentos problemáticos de jogo que acompanha a história de Tomás, um jovem que começa a apresentar sinais de uso excessivo e dependência do jogo. Ao reconhecer que precisa de ajuda, participa num programa de prevenção que promove uma utilização mais saudável dos jogos e das tecnologias.

Este livro conta a história de Yun, uma criança que é vítima de bullying na escola e tem dificuldade em compreender o que está a acontecer e em pedir ajuda. Com o apoio da família, dos amigos, dos professores e do psicólogo escolar, aprende a enfrentar a situação e a encontrar soluções. De forma acessível e pedagógica, o livro promove a prevenção do bullying, sensibilizando crianças e jovens para a importância do respeito, da empatia e da intervenção de toda a comunidade educativa.

Amar Rima com Respeitar é um livro de prevenção da violência no namoro que, através de histórias e atividades de reflexão, promove relações saudáveis baseadas no respeito, na empatia, na assertividade e na capacidade de pedir ajuda.

Casos Práticos em Psicologia Forense é uma obra que articula os fundamentos da Psicologia Forense com a apresentação de casos reais de avaliação pericial, permitindo compreender os procedimentos, metodologias e desafios da intervenção psicológica nos contextos penal, civil e de família e menores.
A negligência e os maus-tratos infantis representam uma das mais sérias ameaças ao desenvolvimento saudável das crianças. As suas consequências podem prolongar-se ao longo de todo o ciclo de vida, afetando áreas tão diversas como a saúde física, o funcionamento emocional, as relações interpessoais, o percurso escolar e a integração social. A investigação tem demonstrado que experiências adversas na infância podem influenciar o desenvolvimento cerebral, a capacidade de regulação emocional, a autoestima, o sentimento de segurança e a qualidade das relações futuras.
A negligência é frequentemente menos visível do que outras formas de violência. Ao contrário dos maus-tratos físicos, nem sempre deixa marcas observáveis. No entanto, a ausência persistente de cuidados, supervisão, afeto, proteção ou estimulação adequada pode produzir impactos igualmente profundos no desenvolvimento infantil. Uma criança cujas necessidades básicas não são reconhecidas ou satisfeitas pode experimentar dificuldades significativas ao nível da aprendizagem, do desenvolvimento emocional, da construção da identidade e da confiança nos outros.
As situações de negligência podem manifestar-se em diferentes domínios da vida da criança. Podem envolver a falta de cuidados de saúde, alimentação inadequada, ausência de supervisão, exposição a contextos perigosos, dificuldades persistentes na resposta às necessidades emocionais ou a ausência de oportunidades de estimulação e desenvolvimento. Em muitos casos, estas situações resultam da acumulação de múltiplos fatores de vulnerabilidade familiar e social, exigindo uma compreensão cuidadosa e contextualizada.
Os maus-tratos infantis podem assumir diferentes formas, incluindo violência física, psicológica, emocional, sexual ou exposição continuada a contextos altamente adversos, como a violência doméstica. Embora as suas manifestações sejam diversas, todas têm em comum o facto de comprometerem o bem-estar, a segurança e os direitos fundamentais da criança. A experiência de maus-tratos afeta não apenas o presente da criança, mas pode condicionar significativamente as suas oportunidades de desenvolvimento futuro.
A identificação precoce destas situações constitui um dos maiores desafios da proteção infantil. Mudanças comportamentais súbitas, dificuldades emocionais persistentes, problemas relacionais, regressões do desenvolvimento, dificuldades escolares ou sinais de sofrimento psicológico podem constituir indicadores importantes que justificam uma atenção especializada. Contudo, nenhuma criança reage da mesma forma às adversidades. A avaliação deve ser sempre individualizada, integrada e sustentada no conhecimento científico.
A intervenção nestas situações deve procurar equilibrar proteção e apoio. Para além da segurança imediata da criança, é fundamental compreender as circunstâncias que contribuíram para a situação, identificar recursos familiares e comunitários, fortalecer competências parentais sempre que possível e mobilizar respostas que promovam mudanças duradouras. A proteção eficaz não se limita à gestão da crise; implica também a prevenção da reincidência e a promoção de condições favoráveis ao desenvolvimento saudável.
Ao longo da minha atividade profissional tenho trabalhado na avaliação, prevenção e intervenção em situações de negligência e maus-tratos, colaborando com diferentes profissionais e instituições na promoção de respostas centradas nas necessidades da criança. Esta intervenção procura integrar o conhecimento científico mais atualizado com uma compreensão abrangente das realidades familiares e dos contextos em que as crianças vivem.
A proteção infantil não se limita à remoção do perigo. Implica a criação de condições que permitam às crianças reconstruir sentimentos de segurança, confiança e pertença, desenvolver relações significativas e recuperar oportunidades de crescimento e desenvolvimento.
Em última análise, proteger uma criança significa garantir que tem acesso aos cuidados, ao afeto, à estabilidade e às oportunidades necessárias para crescer com dignidade e alcançar o seu potencial.
Nesta secção encontrará documentos nacionais e internacionais, guias técnicos, relatórios, organizações de referência, livros, materiais pedagógicos e outros recursos que sustentam o conhecimento científico e as boas práticas na área da proteção e prevenção da violência contra crianças e jovens.
O principal instrumento internacional de proteção dos direitos da criança, base conceptual de praticamente todas as políticas e programas de proteção infantil desenvolvidos nas últimas décadas. Defende o princípio do superior interesse da criança e estabelece o direito à proteção contra todas as formas de violência.
A Convenção de Lanzarote é o instrumento mais abrangente do Conselho da Europa para a prevenção da exploração sexual e dos abusos sexuais contra crianças. Exige que os Estados adotem medidas de prevenção, proteção das vítimas e responsabilização dos agressores.
Guia internacional de referência para prevenção da violência contra crianças.
Documento estratégico de referência para a Europa, com foco específico na proteção contra a violência, participação infantil, justiça amiga das crianças e segurança digital.
Portal temático da Organização Mundial da Saúde com dados, evidência científica, orientações técnicas e recursos para prevenção e intervenção na violência contra crianças
Principal iniciativa internacional focada na prevenção da exploração e abuso sexual de crianças em ambientes digitais, reunindo governos, investigadores e organizações da sociedade civil.
Norma internacional de referência para organizações que trabalham com crianças e jovens, promovendo práticas seguras de safeguarding e proteção infantil
Uma das mais importantes organizações científicas mundiais na área da prevenção dos maus-tratos infantis, reunindo investigação, formação e recursos especializados.
Coleção de artigos científicos de referência internacional sobre prevalência, consequências e prevenção dos maus-tratos infantis.
Recursos científicos de elevada qualidade sobre desenvolvimento infantil, adversidade precoce, trauma e negligência.
Organização independente do Reino Unido dedicada à prevenção da violência juvenil, que disponibiliza uma toolkit baseada na evidência com estratégias comprovadas e informação sobre fatores de risco e fatores de proteção.
O principal enquadramento legal português na área da promoção dos direitos e proteção das crianças e jovens em perigo. Leitura obrigatória para profissionais da educação, saúde, psicologia, serviço social e direito.
Disponibiliza relatórios, estudos, manuais, guias para profissionais, materiais sobre parentalidade positiva e recursos de prevenção.
Uma das instituições portuguesas mais relevantes na defesa dos direitos da criança, com publicações, campanhas de prevenção, programas de intervenção e recursos para profissionais e famílias.
Disponibiliza relatórios estatísticos, campanhas de prevenção, recursos sobre violência sexual, violência doméstica, bullying e violência online.
Projeto nacional coordenado por várias entidades portuguesas, com materiais de elevada qualidade sobre cidadania digital, cyberbullying e segurança online.
Projeto da Direção-Geral da Educação destinado à promoção da literacia e segurança digitais em contexto escolar.

Podes Falar Comigo é um livro pedagógico dirigido a crianças que aborda a violência sexual de forma clara, compreensível e ajustada à idade, promovendo a literacia emocional, a autoproteção e a capacidade de pedir ajuda.

Este livro reúne contributos de diversos especialistas para compreender a violência sexual nas suas múltiplas dimensões. A obra aborda temas relacionados com a prevenção, avaliação e intervenção junto de vítimas e agressores, constituindo um recurso de referência para profissionais das áreas da psicologia, saúde, educação, justiça e intervenção social.

É um guia que apoia as famílias na adaptação à separação e ao divórcio, promovendo práticas que favorecem o bem-estar das crianças. De forma clara e prática, aborda temas como a comunicação entre os pais, a organização da vida entre duas casas, a gestão das férias e datas festivas, a relação com a escola e os desafios associados aos processos judiciais, incentivando uma parentalidade cooperativa centrada nas necessidades dos filhos.

Casos Práticos em Psicologia Forense é uma obra que articula os fundamentos da Psicologia Forense com a apresentação de casos reais de avaliação pericial, permitindo compreender os procedimentos, metodologias e desafios da intervenção psicológica nos contextos penal, civil e de família e menores.
O bullying constitui uma das formas mais estudadas de violência entre pares e continua a representar um desafio significativo para escolas, famílias e comunidades. Trata-se de um comportamento intencional, repetido ao longo do tempo e caracterizado por um desequilíbrio de poder entre os envolvidos. Esse desequilíbrio pode resultar da diferença de idade, força física, estatuto social, popularidade, competências sociais ou da capacidade de exercer controlo, exclusão ou humilhação sobre outra pessoa.
Embora seja frequentemente associado ao contexto escolar, o bullying deve ser compreendido como um fenómeno relacional e social que pode ocorrer em diferentes contextos da vida das crianças e dos adolescentes. Pode assumir formas físicas, verbais, psicológicas ou relacionais, incluindo agressões, insultos, ameaças, exclusão social, disseminação de rumores ou manipulação das relações interpessoais.
Nas últimas décadas, o desenvolvimento das tecnologias digitais veio ampliar os contextos onde estas formas de violência podem ocorrer. O cyberbullying corresponde à utilização das tecnologias digitais para intimidar, ameaçar, humilhar ou excluir outra pessoa, podendo manifestar-se através de redes sociais, aplicações de mensagens, plataformas de jogos online ou outras formas de comunicação digital. A divulgação de rumores, os comentários ofensivos, a criação de perfis falsos, a partilha não autorizada de fotografias ou vídeos e a exclusão deliberada de grupos online são algumas das situações mais frequentes.
Ao contrário do bullying presencial, o cyberbullying não está limitado a um espaço físico ou a um horário específico. A agressão pode ocorrer a qualquer momento, acompanhar a vítima para dentro de casa e atingir rapidamente um número muito alargado de pessoas. A permanência dos conteúdos online e a rapidez da sua disseminação podem aumentar significativamente os sentimentos de exposição, vergonha e impotência.
As consequências do bullying e do cyberbullying podem ser profundas e duradouras. A investigação tem demonstrado uma associação entre estas experiências e dificuldades emocionais, diminuição da autoestima, sintomas de ansiedade e depressão, isolamento social, dificuldades académicas e problemas de sono. Em situações mais graves, podem surgir manifestações importantes de sofrimento psicológico, incluindo comportamentos autolesivos ou ideação suicida.
Importa reconhecer que os impactos não se limitam às vítimas. Os jovens que adotam comportamentos agressivos podem apresentar dificuldades ao nível da empatia, da regulação emocional e das competências relacionais. As testemunhas desempenham igualmente um papel fundamental, uma vez que a forma como os colegas reagem, apoiam, ignoram ou denunciam estas situações pode contribuir para a sua manutenção ou interrupção.
A compreensão do bullying exige, por isso, uma abordagem que vá além da análise dos comportamentos individuais. A investigação demonstra que o contexto social desempenha um papel decisivo. Os pares, os professores, as famílias e a cultura da organização influenciam diretamente a ocorrência e a manutenção destes comportamentos. Ambientes marcados pela intolerância à diferença, pela normalização da agressão ou pela ausência de supervisão adequada tendem a apresentar maior vulnerabilidade à violência entre pares.
As respostas mais eficazes não passam apenas pela intervenção junto das vítimas e dos agressores. Exigem uma abordagem preventiva abrangente que envolva toda a comunidade educativa, promovendo competências socioemocionais, empatia, comunicação respeitadora, resolução construtiva de conflitos e participação ativa dos alunos na construção de ambientes seguros e inclusivos. No caso do cyberbullying, a prevenção implica igualmente o desenvolvimento da literacia digital e da cidadania digital, ajudando crianças e adolescentes a proteger a sua privacidade, a utilizar as tecnologias de forma responsável e a reconhecer situações de risco.
As famílias desempenham um papel essencial neste processo. O diálogo aberto sobre as experiências online e offline, a disponibilidade para escutar preocupações, a atenção a possíveis sinais de sofrimento e a criação de relações de confiança constituem importantes fatores de proteção. De igual modo, a colaboração entre famílias, escolas e outros profissionais é fundamental para garantir respostas consistentes e eficazes.
Uma escola protetora não é aquela onde nunca acontecem conflitos. É aquela que dispõe de recursos para os identificar, compreender e resolver de forma construtiva. É aquela que promove relações respeitadoras, valoriza a diversidade, incentiva a participação dos alunos e cria condições para que todas as crianças e jovens se sintam seguros, incluídos e reconhecidos na sua dignidade.
Ao longo da minha atividade profissional tenho desenvolvido trabalho de investigação, formação e intervenção nas áreas da violência entre pares, da promoção das competências socioemocionais e da prevenção dos riscos associados ao mundo digital. Esta experiência tem reforçado a convicção de que a prevenção deve começar cedo e envolver todos os adultos responsáveis pela educação e proteção das crianças e dos jovens.
O combate ao bullying e cyberbullying não começa quando surge um problema. Começa muito antes, na construção diária de relações baseadas no respeito, na empatia e na inclusão. Proteger crianças e jovens significa criar contextos onde a violência não é normalizada, onde a diferença é valorizada e onde todos se sentem seguros para aprender, participar e desenvolver-se plenamente.
Nesta secção encontrará documentos nacionais e internacionais, guias técnicos, relatórios, organizações de referência, livros, materiais pedagógicos e outros recursos que sustentam o conhecimento científico e as boas práticas na área da proteção e prevenção da violência contra crianças e jovens.
Recursos sobre violência escolar, proteção de crianças, bem-estar e ambientes educativos seguros.
Organização independente do Reino Unido dedicada à prevenção da violência juvenil, que disponibiliza uma toolkit baseada na evidência com estratégias comprovadas e informação sobre fatores de risco e fatores de proteção.
Fundação americana criada em memória de Megan Meier, dedicada à prevenção do bullying e do cyberbullying. Disponibiliza recursos educativos, apoio a vítimas e programas de sensibilização para jovens, famílias e comunidades escolares.
A UNESCO disponibiliza relatórios, recomendações e evidência científica sobre violência escolar e cyberbullying.
Uma das mais importantes redes internacionais de investigação sobre crianças, jovens e internet, com vários estudos sobre cyberbullying, riscos online e bem-estar digital.
Centro de investigação internacional dedicado exclusivamente ao estudo do cyberbullying entre crianças e adolescentes. Disponibiliza investigação, fact sheets, recursos para escolas, pais e profissionais.
Organização de referência na área da segurança digital e cidadania online.
O “Be A Friend Project” é um movimento educativo e social que promove a amizade, a empatia e a ação contra o bullying, dando voz aos jovens para apoiarem colegas em situações de vulnerabilidade.
“Parenting for the Digital Age” é um relatório da UNICEF que destaca o papel fundamental dos pais e cuidadores na proteção das crianças contra os riscos online, promovendo estratégias de prevenção, apoio e educação digital para garantir a sua segurança e bem-estar no ambiente digital.
Projeto nacional que reúne recursos, campanhas e apoio para crianças, jovens, pais e profissionais.
Projeto português dedicado à prevenção, combate e intervenção no bullying e cyberbullying em contexto escolar. Disponibiliza informação científica, recursos educativos, ações de sensibilização, formação para profissionais e famílias, bem como materiais de apoio para escolas e comunidades educativas. Constitui atualmente uma das principais iniciativas nacionais especializadas nesta temática.
Iniciativa promovida pelo Ministério da Educação que apoia as escolas na prevenção e combate ao bullying, cyberbullying e outras formas de violência entre pares, disponibilizando orientações, materiais pedagógicos e boas práticas.
Associação portuguesa dedicada à prevenção do bullying através de programas de intervenção escolar, mediação de conflitos, promoção da empatia e formação de profissionais, famílias e alunos.

Este livro conta a história de Yun, uma criança que é vítima de bullying na escola e tem dificuldade em compreender o que está a acontecer e em pedir ajuda. Com o apoio da família, dos amigos, dos professores e do psicólogo escolar, aprende a enfrentar a situação e a encontrar soluções. De forma acessível e pedagógica, o livro promove a prevenção do bullying, sensibilizando crianças e jovens para a importância do respeito, da empatia e da intervenção de toda a comunidade educativa.
A adolescência constitui uma etapa decisiva do desenvolvimento humano, marcada pela construção da identidade pessoal, pela procura de autonomia e pelo surgimento das primeiras relações afetivas significativas. Estas experiências desempenham um papel fundamental na aprendizagem dos padrões relacionais que tendem a influenciar a forma como os indivíduos vivem a intimidade, o respeito e a resolução de conflitos ao longo da vida.
Embora o namoro seja frequentemente associado a experiências positivas de descoberta, afeto e crescimento pessoal, pode igualmente constituir um contexto onde emergem comportamentos de controlo, abuso e violência. A violência no namoro é um fenómeno complexo que pode assumir diferentes formas, incluindo violência psicológica, emocional, verbal, física, sexual, económica e, cada vez mais, digital.
Entre os comportamentos mais frequentemente observados encontram-se o controlo excessivo das amizades e atividades da outra pessoa, a exigência constante de provas de amor, os ciúmes patológicos, a monitorização das redes sociais, a verificação de mensagens privadas, a manipulação emocional, as ameaças, a humilhação pública ou privada e as agressões físicas. Muitos destes comportamentos são frequentemente romantizados pelos jovens e confundidos com manifestações de carinho, proteção ou interesse, contribuindo para a sua normalização e perpetuação.
Particularmente preocupante é o crescimento da violência digital, favorecida pela utilização intensiva das tecnologias de informação e comunicação. A partilha não consentida de imagens, a pressão para envio de conteúdos íntimos, a perseguição online, a localização permanente através de aplicações móveis ou o acesso indevido a contas pessoais representam formas de abuso que podem ter consequências profundas na saúde mental e emocional das vítimas.
As consequências da violência no namoro são significativas e podem manifestar-se através de sentimentos de medo, ansiedade, baixa autoestima, depressão, isolamento social, dificuldades académicas, comportamentos autolesivos e, em situações mais graves, stress pós-traumático. Para além dos efeitos imediatos, a exposição continuada a relações abusivas durante a adolescência pode influenciar negativamente as expectativas e crenças sobre os relacionamentos futuros, aumentando o risco de repetição destes padrões na vida adulta.
Diversos fatores contribuem para a vulnerabilidade dos adolescentes perante este fenómeno, nomeadamente a pressão dos pares, os estereótipos de género, os modelos familiares disfuncionais, a falta de competências socioemocionais, a necessidade de aceitação social e a insuficiente literacia afetiva e relacional. A persistência de crenças como "quem ama sente ciúmes", "o amor exige sacrifícios" ou "o controlo é uma demonstração de cuidado" continua a alimentar dinâmicas de relacionamento pouco saudáveis.
Neste contexto, a prevenção da violência no namoro deve assumir uma perspetiva educativa abrangente e contínua. Mais do que alertar para os riscos, importa promover competências que permitam aos jovens construir relações baseadas no respeito, na confiança, na igualdade, na liberdade individual e no consentimento mútuo. A educação emocional, a comunicação assertiva, a gestão saudável dos conflitos, a empatia, a capacidade de estabelecer limites e o reconhecimento dos sinais precoces de abuso devem integrar os processos educativos desde os primeiros anos de escolaridade.
As escolas, as famílias e as comunidades desempenham um papel fundamental na promoção de culturas relacionais saudáveis. A criação de espaços seguros de diálogo, a sensibilização para os direitos humanos, a desconstrução de mitos associados ao amor romântico e a formação de profissionais capacitados para identificar e intervir precocemente constituem estratégias essenciais na prevenção deste fenómeno.
Ao longo da minha atividade profissional tenho desenvolvido ações de sensibilização, formação e intervenção dirigidas a adolescentes, profissionais e comunidades educativas, procurando fomentar a literacia afetiva e relacional e contribuir para a construção de relacionamentos mais saudáveis, seguros e respeitadores. A experiência tem demonstrado que a informação, quando acompanhada por reflexão crítica e desenvolvimento de competências pessoais e sociais, constitui um dos instrumentos mais eficazes na prevenção da violência.
A educação para relações saudáveis é, simultaneamente, uma estratégia de promoção do bem-estar, de proteção da saúde mental e de prevenção da violência. Investir na formação afetiva dos jovens significa contribuir para uma sociedade mais consciente, equitativa e capaz de construir vínculos assentes no respeito pela dignidade e integridade de cada pessoa.
Nesta secção encontrará documentos nacionais e internacionais, guias técnicos, relatórios, organizações de referência, livros, materiais pedagógicos e outros recursos que sustentam o conhecimento científico e as boas práticas na área da proteção e prevenção da violência contra crianças e jovens.
Uma das publicações mais relevantes sobre violência nas relações íntimas entre adolescentes. Refere que quase um quarto das jovens que já tiveram relacionamentos experimentou violência física e/ou sexual antes dos 20 anos.
Informação global, conceitos, fatores de risco e consequências da violência nas relações íntimas.
Síntese de boas práticas internacionais para prevenção da violência junto de adolescentes.
Biblioteca internacional com publicações, relatórios, vídeos e materiais pedagógicos.
Recursos científicos, estatísticas, materiais para educadores e programas preventivos.
Estudo Nacional sobre Violência no Namoro Divulgado anualmente em parceria com a UMAR, constitui uma das principais referências nacionais.
Namorar com Fair Play Projeto de voluntariado juvenil para prevenção da violência no namoro e promoção da igualdade de género.
Conteúdos dirigidos a adolescentes e jovens sobre relações saudáveis e prevenção da violência.


Este livro juvenil aborda a violência no namoro através da história de uma adolescente envolvida numa relação abusiva. A narrativa explora temas como o controlo, a manipulação emocional, o isolamento, a dificuldade em reconhecer os sinais de abuso e a importância de procurar ajuda. A obra foi desenvolvida com preocupação pedagógica e inclui informação sobre recursos de apoio aos jovens.
A vida das crianças e dos adolescentes decorre, cada vez mais, num contexto híbrido onde as experiências presenciais e digitais se entrelaçam diariamente. As tecnologias digitais oferecem oportunidades extraordinárias de aprendizagem, criatividade, comunicação e participação social. No entanto, também criam novos desafios em matéria de proteção, saúde mental e desenvolvimento saudável.
Embora o cyberbullying e outras formas de violência online sejam preocupações frequentemente discutidas, os riscos digitais vão muito além dessas realidades. Um dos fenómenos que mais preocupa atualmente é a crescente dependência dos ecrãs e dos dispositivos digitais. O uso excessivo da tecnologia pode comprometer o sono, a concentração, o rendimento escolar, a atividade física e as interações familiares e sociais. Em muitos casos, os dispositivos digitais ocupam um espaço central na vida quotidiana, dificultando a autorregulação emocional e reduzindo as oportunidades de contacto com experiências fundamentais para o desenvolvimento, como o brincar, a convivência presencial ou o tempo passado ao ar livre.
Outro desafio relevante prende-se com a exposição precoce e repetida a conteúdos inadequados para a idade. Crianças e jovens podem contactar facilmente com material violento, agressivo, discriminatório ou sexualizado, muitas vezes através de plataformas aparentemente inofensivas. Esta exposição pode influenciar crenças, atitudes e comportamentos, contribuindo para a banalização da violência, para a construção de expectativas irreais sobre relacionamentos e sexualidade ou para a dessensibilização perante o sofrimento dos outros.
Particular atenção merece também o crescente impacto dos algoritmos e das redes sociais na formação de opiniões e valores. Os ambientes digitais podem amplificar discursos de ódio, xenofobia, racismo, misoginia ou intolerância, expondo crianças e adolescentes a narrativas extremistas que promovem a exclusão e a desumanização de grupos sociais. A vulnerabilidade é especialmente elevada durante a adolescência, fase caracterizada pela procura de pertença, identidade e reconhecimento social.
A dimensão económica do mundo digital constitui outra área de risco frequentemente subestimada. Jogos, aplicações e plataformas recorrem cada vez mais a estratégias de monetização que incentivam gastos impulsivos, compras integradas, sistemas de recompensa imediata e mecanismos que dificultam a perceção do valor real do dinheiro. Muitas crianças e jovens são expostos a práticas comerciais sofisticadas antes de possuírem a maturidade necessária para compreender plenamente as suas implicações financeiras.
A circulação de informação falsa ou enganosa representa igualmente um desafio crescente. A facilidade com que conteúdos são criados e partilhados exige competências de literacia digital que permitam distinguir factos de opiniões, identificar fontes credíveis e desenvolver pensamento crítico. Num contexto marcado pela rapidez da informação, torna-se essencial capacitar os jovens para questionarem aquilo que veem, leem e partilham.
Perante esta realidade, a proteção digital não se alcança através da vigilância permanente nem da simples proibição do acesso às tecnologias. A evidência científica sugere que as estratégias mais eficazes assentam na supervisão parental positiva, no diálogo aberto, na definição de regras ajustadas à idade e no desenvolvimento gradual da autonomia. Crianças e adolescentes precisam de aprender a utilizar a tecnologia de forma segura, equilibrada e responsável, desenvolvendo competências que lhes permitam identificar riscos, tomar decisões informadas e procurar ajuda quando necessário.
Ao longo do meu percurso profissional tenho trabalhado na sensibilização de famílias, escolas e profissionais para os desafios associados à segurança digital, promovendo abordagens preventivas que conciliam proteção, autonomia e cidadania digital. Mais do que controlar o acesso à tecnologia, importa ajudar crianças e jovens a compreender o seu funcionamento, os seus benefícios e os seus riscos.
Preparar crianças e adolescentes para o mundo digital significa capacitá-los para usufruírem das oportunidades oferecidas pela tecnologia sem comprometer a sua saúde mental, o seu desenvolvimento, os seus direitos e a qualidade das suas relações. A educação digital é hoje uma componente essencial da educação para a cidadania, para o bem-estar e para a proteção.
Nesta secção encontrará documentos nacionais e internacionais, guias técnicos, relatórios, organizações de referência, livros, materiais pedagógicos e outros recursos que sustentam o conhecimento científico e as boas práticas na área da proteção e prevenção da violência contra crianças e jovens.
Plataforma europeia com milhares de recursos para crianças, jovens, famílias e educadores sobre segurança digital.
Estratégia europeia centrada na proteção, capacitação e participação das crianças no mundo digital.
Recursos e orientações sobre proteção de crianças e jovens contra riscos digitais e violência online.
Informação atualizada sobre os principais riscos online, incluindo cyberbullying, grooming, exploração sexual online e desinformação.
Portal português com informação, materiais pedagógicos, campanhas e apoio sobre cibersegurança, cyberbullying, privacidade, desinformação e cidadania digital.
Plataforma da Direção-Geral da Educação com recursos para alunos, famílias e professores sobre utilização segura e saudável da Internet.
Disponibiliza boas práticas, cursos e recursos para promover a ciber-higiene e a proteção online.
Projeto de sensibilização sobre cibersegurança, cyberbullying, desinformação, privacidade, gaming e relacionamentos online.

Guia prático para pais e educadores que promove uma utilização saudável, equilibrada e segura das tecnologias digitais por crianças e jovens. Através de orientações concretas, responde a dúvidas frequentes sobre redes sociais, videojogos, smartphones, tempo de ecrã e segurança online.

É um projeto educativo que promove a utilização saudável e responsável das tecnologias, desenvolvendo competências de cidadania digital, pensamento crítico e segurança online junto de crianças, jovens e famílias.

É um livro que ajuda crianças, pais e educadores a compreender e prevenir os principais riscos da Internet, abordando temas como redes sociais, cyberbullying, privacidade, dependência digital e segurança online, promovendo uma utilização mais segura e responsável das tecnologias.

Game Over é um livro de prevenção dos comportamentos problemáticos de jogo que acompanha a história de Tomás, um jovem que começa a apresentar sinais de uso excessivo e dependência do jogo. Ao reconhecer que precisa de ajuda, participa num programa de prevenção que promove uma utilização mais saudável dos jogos e das tecnologias.

É um livro dirigido a crianças que, através de histórias e aventuras, ensina de forma simples e acessível os principais cuidados a ter na Internet, promovendo comportamentos seguros e a prevenção dos riscos online.
As emoções desempenham um papel central em todas as dimensões da vida humana. Influenciam a forma como pensamos, aprendemos, tomamos decisões, estabelecemos relações e enfrentamos os desafios do quotidiano. Por essa razão, a literacia emocional é atualmente reconhecida como um dos mais importantes fatores de proteção para a saúde mental, o bem-estar e o desenvolvimento saudável ao longo da vida.
A literacia emocional refere-se à capacidade de identificar, compreender, expressar e regular emoções de forma adequada. Implica reconhecer aquilo que sentimos, compreender as causas e consequências das emoções, desenvolver vocabulário emocional e utilizar estratégias eficazes para lidar com experiências difíceis ou emocionalmente intensas.
Quando as crianças aprendem desde cedo a reconhecer emoções como a tristeza, a raiva, o medo, a vergonha, a frustração ou a alegria, tornam-se mais capazes de compreender as suas próprias experiências e de comunicar as suas necessidades de forma ajustada. Esta capacidade contribui para uma maior autoestima, para relações interpessoais mais positivas e para uma melhor adaptação aos desafios académicos, familiares e sociais.
Diversos estudos demonstram que crianças e jovens com competências emocionais mais desenvolvidas apresentam menores níveis de ansiedade, depressão e problemas de comportamento. Revelam também maior empatia, melhor capacidade de resolução de conflitos, maior tolerância à frustração e melhores competências de tomada de decisão. Estas competências funcionam como verdadeiros fatores de proteção perante situações adversas e contribuem para o desenvolvimento da resiliência.
A literacia emocional desempenha igualmente um papel relevante na prevenção de múltiplas problemáticas. Crianças que conseguem identificar sinais de desconforto emocional, estabelecer limites e pedir ajuda quando necessário encontram-se mais protegidas face ao bullying, à violência entre pares, à violência no namoro, aos comportamentos autolesivos, ao consumo de substâncias, às dependências comportamentais e a diversas formas de vitimação.
Num contexto social marcado por rápidas mudanças, exposição permanente às tecnologias digitais e aumento das exigências emocionais, a capacidade de compreender e regular emoções assume uma importância crescente. A gestão saudável das emoções constitui uma competência essencial para lidar com a pressão dos pares, os desafios das redes sociais, os conflitos interpessoais e as adversidades que surgem ao longo do desenvolvimento.
A promoção da literacia emocional deve iniciar-se precocemente e envolver os vários contextos de vida da criança. Família, escola e comunidade desempenham um papel complementar neste processo. Mais do que ensinar conceitos sobre emoções, importa criar ambientes seguros, acolhedores e emocionalmente responsivos, onde as crianças possam expressar aquilo que sentem sem receio de julgamento e aprender estratégias saudáveis para lidar com as suas dificuldades.
Ao longo da minha atividade profissional tenho integrado o desenvolvimento de competências socioemocionais em diversos programas de prevenção, intervenção e promoção do desenvolvimento positivo. A experiência tem demonstrado que investir na literacia emocional não só promove o bem-estar psicológico, como fortalece fatores de proteção fundamentais para a construção de trajetórias de vida mais seguras, resilientes e saudáveis.
Promover literacia emocional é ajudar crianças e jovens a conhecerem-se melhor, a relacionarem-se de forma mais saudável com os outros e a desenvolverem recursos internos que os acompanham ao longo de toda a vida. É, em última análise, investir na construção de comunidades mais empáticas, solidárias, inclusivas e protetoras.
Nesta secção encontrará documentos nacionais e internacionais, guias técnicos, relatórios, organizações de referência, livros, materiais pedagógicos e outros recursos que sustentam o conhecimento científico e as boas práticas na área da proteção e prevenção da violência contra crianças e jovens.
Referência mundial na área da aprendizagem socioemocional (SEL), definindo competências essenciais como autoconsciência, autorregulação emocional, consciência social, competências relacionais e tomada de decisão responsável.
Documento que destaca o papel da aprendizagem socioemocional na promoção do bem-estar, da saúde mental, da inclusão, da prevenção da violência e do sucesso educativo.
Estudo internacional que demonstra a relação entre competências socioemocionais, sucesso académico, saúde mental, qualidade das relações interpessoais e satisfação com a vida.
Um dos maiores projetos internacionais dedicados à avaliação e promoção das competências sociais e emocionais em crianças e adolescentes.
Tem vindo a integrar a educação para a cidadania, a saúde mental e o desenvolvimento pessoal e social nas orientações curriculares e nos programas de promoção do bem-estar em contexto escolar.
Produz relatórios nacionais sobre saúde psicológica, bem-estar e necessidades de intervenção junto de crianças e jovens em contexto escolar.

É um livro prático e lúdico que ajuda pais, cuidadores e crianças a lidar com emoções e comportamentos difíceis do quotidiano. Através de atividades simples e de uma "caixa de primeiros socorros emocionais", apresenta estratégias para gerir situações como birras, medos, tristeza, pesadelos, agressividade e uso excessivo das tecnologias, promovendo a regulação emocional e a parentalidade positiva.

Livro infantojuvenil que ajuda a desmistificar a profissão de psicólogo e a explicar, de forma simples e acessível, o papel da Psicologia em diferentes contextos. Através das histórias de Inês, Diogo e dos seus amigos, os leitores descobrem como os psicólogos apoiam crianças, jovens e adultos, promovendo o bem-estar emocional, o desenvolvimento pessoal e a qualidade das relações. A obra procura transmitir uma visão positiva e abrangente da Psicologia, para além das situações de doença ou dificuldade.

É uma coletânea de contos que ajuda crianças e jovens a refletir sobre a identidade, a diferença, a amizade, os medos e a superação de dificuldades. De forma lúdica e educativa, promove competências emocionais e sociais fundamentais ao desenvolvimento saudável.
Jogo pedagógico dirigido a crianças dos 3 aos 7 anos, centrado na identificação, expressão e compreensão das emoções, através de desafios lúdicos e atividades de grupo.
Conjunto de jogos e materiais pedagógicos destinados ao desenvolvimento da literacia emocional, do reconhecimento de sentimentos, da empatia e das competências sociais em contexto educativo.
Recurso educativo que ajuda crianças dos 1.º e 2.º ciclos a reconhecer, compreender e expressar emoções, promovendo o autoconhecimento e a relação com os outros.
Uma das obras portuguesas de referência na área da educação emocional infantil. Através da personagem Marta, as crianças aprendem a identificar emoções, compreender as suas mensagens e desenvolver estratégias de regulação emocional.
Recurso amplamente utilizado em contextos educativos para promover competências socioemocionais, autoconsciência emocional, empatia e estratégias de autorregulação.
Jogo pedagógico dirigido a crianças do 1.º e 2.º ciclos que promove a identificação, compreensão e expressão das emoções. Através de desafios e situações do quotidiano, ajuda as crianças a reconhecer diferentes estados emocionais, compreender os seus significados e desenvolver competências de literacia emocional.
Jogo psicoeducativo que ajuda crianças e jovens a compreender o que é a ansiedade, reconhecer as suas manifestações e desenvolver estratégias para a gerir de forma mais saudável. Através de uma abordagem lúdica, promove a aceitação das emoções, a redução do evitamento e o desenvolvimento de competências de regulação emocional.
Jogo pedagógico que ajuda crianças e jovens a compreender, expressar e enfrentar os seus medos de forma saudável. Através de desafios e cartas temáticas, os participantes exploram receios comuns, como o medo do escuro, dos animais, de falhar ou da separação dos pais, aprendendo estratégias para lidar com eles, desenvolver coragem e procurar ajuda quando necessário. O jogo promove a literacia emocional, a autorregulação e a confiança pessoal de uma forma lúdica e participativa.
A família constitui o primeiro e mais importante contexto de desenvolvimento da criança. É no seio das relações familiares que se constroem os primeiros vínculos de segurança, as bases da confiança, os modelos de comunicação e muitos dos recursos emocionais, sociais e relacionais que irão acompanhar a criança ao longo da vida. As experiências vividas nos primeiros anos influenciam a forma como cada criança aprende a lidar com as emoções, estabelece relações com os outros, enfrenta desafios e desenvolve a sua autoestima.
A investigação científica tem demonstrado de forma consistente que a qualidade das práticas parentais constitui um dos mais relevantes fatores de proteção para o desenvolvimento infantil. Crianças que crescem em ambientes familiares caracterizados pelo afeto, pela previsibilidade, pela supervisão adequada, pela comunicação positiva e pelo respeito mútuo apresentam melhores indicadores de saúde mental, mais competências sociais e emocionais, melhor desempenho académico e menor probabilidade de envolvimento em comportamentos de risco.
Contudo, ser pai ou mãe é uma das tarefas mais exigentes e complexas da vida. Não existem famílias perfeitas nem respostas universais para todos os desafios. A parentalidade desenvolve-se num contexto marcado por múltiplas exigências: gestão da vida profissional e familiar, dificuldades económicas, transformações sociais, mudanças tecnológicas, desafios educativos cada vez mais complexos e as diferentes necessidades associadas às várias etapas do desenvolvimento infantil e adolescente.
A entrada na adolescência, por exemplo, coloca frequentemente novos desafios às famílias. Questões relacionadas com a autonomia, a utilização das tecnologias, os conflitos familiares, os comportamentos de risco, a gestão emocional ou a influência dos pares exigem ajustamentos constantes por parte dos cuidadores. Também situações de transição familiar, como a separação ou o divórcio, a recomposição familiar, o nascimento de irmãos ou a existência de necessidades especiais podem aumentar a vulnerabilidade do sistema familiar e a necessidade de apoio especializado.
Neste contexto, a promoção das competências parentais assume um papel fundamental. Capacitar famílias não significa corrigir ou substituir o seu papel educativo. Pelo contrário, significa reconhecer os seus recursos, valorizar as suas competências e disponibilizar conhecimentos, estratégias e ferramentas que reforcem a sua confiança e eficácia parental. Trata-se de um processo colaborativo que respeita a diversidade das estruturas familiares e das diferentes formas de exercer a parentalidade.
As competências parentais incluem um conjunto de capacidades essenciais, entre as quais se destacam a capacidade de estabelecer relações afetivas seguras, comunicar de forma clara e respeitosa, definir regras e limites consistentes, responder adequadamente às necessidades emocionais dos filhos, promover a autonomia progressiva e gerir conflitos de forma construtiva. Estas competências podem ser aprendidas, desenvolvidas e fortalecidas ao longo do tempo.
Importa também sublinhar que a proteção das crianças não depende apenas da ausência de comportamentos de risco ou de violência. Depende igualmente da presença de fatores protetores que promovam bem-estar, segurança emocional e desenvolvimento saudável. Famílias que escutam, validam emoções, demonstram afeto, acompanham o percurso escolar dos filhos e mantêm canais de comunicação abertos contribuem significativamente para a prevenção de múltiplas problemáticas, incluindo dificuldades emocionais, comportamentais, relacionais e situações de violência.
Ao longo da minha atividade profissional tenho desenvolvido programas de promoção das competências parentais, ações de formação, workshops, recursos psicoeducativos e intervenções dirigidas a famílias em diferentes contextos. O objetivo tem sido apoiar os cuidadores na construção de relações mais positivas com os seus filhos, promover ambientes familiares seguros e fortalecer os fatores de proteção que favorecem o desenvolvimento infantil e adolescente.
A experiência demonstra que, quando as famílias dispõem de informação adequada, apoio especializado e oportunidades de reflexão sobre as suas práticas educativas, aumentam a sua capacidade para lidar com os desafios quotidianos e para responder de forma mais ajustada às necessidades das crianças e dos jovens.
Promover competências parentais é investir na prevenção, na saúde mental e no bem-estar das futuras gerações. Quando fortalecemos as famílias, fortalecemos simultaneamente a proteção, a segurança e os direitos das crianças.
Nesta secção encontrará documentos nacionais e internacionais, guias técnicos, relatórios, organizações de referência, livros, materiais pedagógicos e outros recursos que sustentam o conhecimento científico e as boas práticas na área da proteção e prevenção da violência contra crianças e jovens.
Um dos programas de parentalidade positiva mais estudados e disseminados mundialmente. Promove estratégias práticas para melhorar a relação pais-filhos, prevenir problemas comportamentais e fortalecer o bem-estar familiar. Baseia-se em mais de três décadas de investigação e é utilizado em diversos países e contextos culturais.
Programa baseado na evidência científica, dirigido a pais, educadores e crianças, com o objetivo de promover competências sociais e emocionais, reforçar práticas parentais positivas e prevenir problemas de comportamento. Conta com mais de 40 anos de investigação.
Iniciativa desenvolvida em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a UNICEF, destinada à promoção de competências parentais e à prevenção da violência contra crianças. Os programas são utilizados em dezenas de países e demonstraram benefícios na qualidade das relações familiares, saúde mental e proteção da infância.
A CNPDPCJ integra a promoção da parentalidade positiva como uma das estratégias centrais de prevenção dos maus-tratos e de proteção das crianças, divulgando diversos programas de capacitação parental, incluindo o programa Anos Incríveis.

É um guia para famílias recompostas que ajuda madrastas, padrastos e restantes membros da família a enfrentar os desafios da nova dinâmica familiar, promovendo relações saudáveis, comunicação positiva e vínculos afetivos seguros.

Este livro reúne contributos de especialistas de várias áreas para compreender os desafios associados à separação e ao divórcio. A obra explora o impacto destes processos nas crianças, nos pais e nas dinâmicas familiares, destacando a importância da coparentalidade, da redução do conflito parental e de uma intervenção multidisciplinar que promova o bem-estar e a adaptação das crianças. Constitui um recurso útil para profissionais, estudantes e famílias interessadas nesta temática.

Recurso destinado a ajudar crianças em idade pré-escolar a compreender e adaptar-se à separação ou divórcio dos pais. Através das histórias de Artur, aborda de forma simples e tranquilizadora as mudanças que acompanham o divórcio, como viver entre duas casas, a relação com os avós, amigos e escola, as férias e a possibilidade de novos relacionamentos dos pais. O objetivo é promover o bem-estar emocional da criança e facilitar o diálogo entre adultos e crianças sobre esta nova realidade familiar.

É um livro prático e lúdico que ajuda pais, cuidadores e crianças a lidar com emoções e comportamentos difíceis do quotidiano. Através de atividades simples e de uma "caixa de primeiros socorros emocionais", apresenta estratégias para gerir situações como birras, medos, tristeza, pesadelos, agressividade e uso excessivo das tecnologias, promovendo a regulação emocional e a parentalidade positiva.

É um guia que apoia as famílias na adaptação à separação e ao divórcio, promovendo práticas que favorecem o bem-estar das crianças. De forma clara e prática, aborda temas como a comunicação entre os pais, a organização da vida entre duas casas, a gestão das férias e datas festivas, a relação com a escola e os desafios associados aos processos judiciais, incentivando uma parentalidade cooperativa centrada nas necessidades dos filhos.
A minha atividade nesta área integra investigação, formação, consultoria e intervenção especializada, procurando aproximar o conhecimento científico das necessidades concretas das instituições, dos profissionais e das famílias.
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